Carregando...
JusBrasil - Artigos
24 de outubro de 2014

Matérias que mais caem em Concursos para Tribunais - I

Publicado por Diego Amorim - 1 ano atrás

LEIAM 3 NÃO LEIAM

Amigos,

Começaremos uma série de quatro posts sobre MATÉRIAS QUE MAIS CAEM EM CONCURSOS DE TRIBUNAIS. Bons estudos e contem sempre comigo.

A ideia de “carimbar papel” em uma sala de um órgão qualquer em que não se faz outra coisa senão isso não existe mais, pelo menos aos que se dedicam a passar em algum concurso público de tribunal. Trabalhar em uma das seções dos vários tribunais do país requer uma perseverança fora do comum e muito, mas muito estudo.

A decisão por fazer um concurso público passa por diversos fatores. Porém, depois da decisão tomada, deve-se fazer um plano de ação em que se basear para estudar e conseguir seu objetivo: passar! Nesse plano, há uma matéria de suma importância para lograr êxito em qualquer concurso público. A língua portuguesa permeia praticamente todas as provas de concurso e a quantidade de itens/questões é cada vez maior.

Sempre me perguntam se há algo dentro do edital que se deve estudar mais. A resposta está nas provas anteriores. Os estudos devem passar necessariamente por fazer as provas da banca, todas de até dois anos – para se ter a noção de como se cobram ao assuntos. Como nos tribunais as provas são geralmente aplicadas por bancas experientes, seguem dicas importantes dos assuntos que mais são frequentes para elas.

Concordância – deve-se ter em mente que as regras de concordância que mais caem são:

  1. As relativas ao verbo SER – que concorda sempre com a pessoa ou pronome pessoal, e eles não aparecendo concorda com qualquer das partes – Modernidade é/são instituições. Ela será ilusões na vida dele. Tudo é/são flores. É 1h. São 12h.;
  2. As relativas ao uso do SE – quando índice de indeterminação do sujeito, o verbo fica no singular: Trabalha-se com afinco. Necessitava-se de vários fatores.; – quando partícula apassivadora, o verbo concorda com o sujeito paciente da ação (lembre-se de que só existe P. A. Com verbos transitivos diretos ou diretos e indiretos): Procuram-se mais modelos. Precisavam-se os dados para a coleta.; – quando parte integrante do verbo, o verbo concorda com o sujeito agente: Encaminhavam-se à reunião os atletas da seleção. Os governos aproximaram-se da solução dos conflitos.; - quando reflexivo (mais raro em provas), o verbo concorda também com o sujeito que aparece: Eles se bastam. Os estudantes se matavam de estudar.
  3. As relativas ao verbo HAVER impessoal (sempre no singular) – quando significa existir ou acontecer – sempre caem. Cuidado, pois pode-se cobrar o verbo existir, que concorda com o sujeito: Havia/Existiam mais interessados no projeto. Poderá haver/Poderão existir muitos pontos em comum. Um ponto a se considerar é o que toca no verbo HAVER com o sentido de tempo (também o FAZER), que é impessoal e não tem plural: Há dez anos não o vejo. Fazia meses que não comia pouco. Nunca deixe de notar que a palavra ‘atrás’ para ser usada com o haver=tempo torna a frase pleonástica, portanto errada do ponto de vista gramatical: Há dez anos atrás, encontrei você.(errado).
  4. As relativas à ideia de parte, que sempre concordam tanto com o núcleo da expressão quanto com seu complemento: Um grupo de empresários participou/participaram do projeto. A maioria dos estudantes teve/tiveram sua chance aumentada. Cuidado com as frases que enganam: O número de candidatos aumentou. Neste exemplo, percebe-se que não há a ideia de parte – de suma importância para a concordância dupla.

Nesses aspectos, o mais importante é identificar o sujeito da oração. No CESPE, costuma-se colocar o sujeito bem longe do verbo para dar a impressão de que outro vocábulo é o sujeito. Não se importe com o sujeito se gramatical ou semântico, pois, a menos que se pergunte nominalmente sobre um deles, não se faz a distinção para efeitos de concordância.

Pontuação – poucas são as regras que efetivamente caem em concurso, por isso foque em:

  1. Travessão somente se usa em caso de intromissão do autor no texto, assim eles são substituíveis sempre, desde que a nova composição respeite as regras de pontuação. Lembre-se de que pode haver tanto vírgula quanto ponto e vírgula depois de um travessão final. Para isso, basta que se retirem os travessões e o que eles separam para que se confirme o uso desses sinais: A China exportará mais este ano – potencial ela tem –, porém importará ainda mais. A vírgula neste caso seria usada mesmo sem os travessões porque separa orações coordenadas, portanto será obrigatória também com eles.
  2. Os dois-pontos sempre podem ser substituídos por outros sinais, mas cuidado com seu uso – citação, diálogo, enumerações e explicações são as possibilidades de uso. Atente sempre para este último, pois é o que mais cai: O Brasil precisa crescer: precisa disso para se manter entre os grandes.
  3. O ponto e vírgula tem um uso meio inusitado em provas. Ele separa orações enumeradas: Trabalha; teima; lima; sofre; sua. Neste caso, ele não é de uso obrigatório, pois pode ser substituído por vírgulas, por exemplo. Ele também separa orações quando uma delas já está separada por vírgula, para manter a relação sintático-semântica do período: Não tenho seu endereço; não vou, pois, a sua casa. O governo e as empresas fizeram um acordo: estas farão os estádios; aquele, os ajustes necessários na lei.
  4. Finalmente, a vírgula! Ela tem uso extenso, mas o que mais cai – quase que 90% das vezes – diz respeito à ordem direta e natural da frase. Se o sujeito estiver acompanhado logo depois de seu verbo e este de seus complementos naturais, não motivos gramaticais para a vírgula, porém, se a ordem for quebrada, faz-se necessário seu uso: De modo geral, as organizações são responsáveis. As mudanças sofridas, diante do quadro que se apresenta, devem ser revistas. Os governos estaduais se tornam, por mais que não admitam, responsáveis pelo pagamento.
  5. Lembretes importantes acerca do uso da vírgula: a. Para o CESPE, que prima pelo sentido, sempre facultativa quando não altera o sentido da frase; b. Antes do E, a vírgula será sempre facultativa; c. Atente sempre à pergunta no item, ela dará a chave do que se quer realmente – se sentido ou gramática.

Crase – o que cai no CESPE sobre crase é o processo pelo qual se formou esta crase – e o consequente uso do seu sinal indicativo –, portanto se faz necessário saber que a preposição sempre será pedida pela palavra anterior (questão de regência verbal e nominal) e o artigo sempre será o da palavra posterior (se ela o admitir, pois nem sempre admite) ou mesmo o pronome ‘a’, que representa o substantivo. Então resta somente a análise de cada oração em si, considerando-se seu contexto para saber se fora ou não cobrado o ‘a’ preposição e outro ‘a’ artigo/pronome: O trabalho aumenta simultaneamente a tão forte rotinização. Nesta frase, o sinal de crase é facultativo, pois ‘tão forte rotinização’ pode prescindir do artigo ‘a’, ficando somente o ‘a’ preposição exigida pelo advérbio ‘simultaneamente’. Esta questão caiu na prova do TST, nível superior, e a pergunta fora justamente se o ‘a’ era preposição e não artigo. Atendemos às necessidades de todos. Neste caso, o sinal de crase também é facultativo, pois o ‘a’ preposição de ‘atendemos’ é facultativa. Esta questão está na prova do TCU, nível médio.

O candidato forte deve estar atento a tudo. Perguntas acerca de expressões de uso comum em textos jornalísticos são cobradas com frequência. Por isso, seguem algumas:

1. Acerca de/ há cerca de/ cerca de - quantas vezes nos deparamos com expressões que nos pregam uma peça? Aqui estão três que precisamos saber usar.

A expressão ‘cerca de’ significa ‘de perto de’, ‘aproximadamente’, ‘em torno de’ e se usa:

Cerca de trinta cartas raras foram encontradas no baú.

Compareceram cerca de mil manifestantes na passeata.

Claro que, jocosamente, podemos dizer que ‘a cerca de’ pode significar ‘cercado’: A cerca de madeira se quebrou. Porém, não exatamente é uma expressão e, sim, a maneira de construção textual.

A expressão ‘há cerca de’ significa tempo passado, passagem do tempo – com o ‘haver’ no sentido de ‘fazer’, mas com a ideia de ‘aproximadamente’ trazida por ‘cerca de’; ou significa ‘existir’:

Há cerca de dez anos não como pouco. (Faz aproximadamente dez anos que não como pouco.)

Na aula, há cerca de 100 pessoas. (Na sala, existem perto de 100 pessoas.)

A expressão ‘acerca de’ significa ‘a respeito de’, ‘sobre’:

Sempre conversamos acerca dos estudos.

2. A nível de ou em nível de? Qual você acha correto para ser usado?

Para o português, nenhuma delas está correta. Na linguagem coloquial, o uso dessas expressões é até aceito. Mas não nos esqueçamos de que a língua é um cruel e eficaz nivelador social. Não se arrisque a passar por constrangimentos nos mais variados ambientes.

Em nível de capital, estamos mal. Nessa frase, não há motivo para se escrever assim. Temos: Em termos de capital, estamos mal. Como capital, estamos mal. Em relação a capital, estamos mal. A respeito de capital, estamos mal.

Quando usamos ‘a nível de’, trazemos do francês essa herança. Não se deve usar tal expressão no sentido de ‘em âmbito’, ‘a respeito de’.

Porém, você sabia que pode-se usar ‘ao nível de’ quando se pretende falar ‘ à mesma altura’?

Posso dizer que quem mata está ao nível de quem rouba e este está ao nível de quem mente.

Quando usamos ‘em nível de’ com o sentido de ‘de âmbito’, porém, temos uma frase aceita na norma culta. Assim: A pesquisa será aplicada em nível de ‘chão de fábrica’.

A conclusão a que temos todos de chegar é a de que as expressões por si não estão erradas. Porém, o uso em demasia pelos falantes e meios de comunicação fez com que se reparasse na norma culta. Para que usar tais expressões se podemos e temos no português variadas outras que detêm o mesmo sentido?

Portanto, prefira ‘no que concerne’, ‘quanto a’, ‘em relação a’, e tantas outras.

3. De repente, chega a expressão e o que usar? Se não ou senão?

Senão, assim, com apenas uma palavra, juntinho, escreve-se quando significa: 1. Caso contrário; 2. A não ser; 3. De repente – menos usual –; 4. Mas sim; 5. Sem que; e como substantivo.

Vamos às frases:

  1. Vamos depressa, senão chegaremos atrasados.
  2. Ela não faz outra coisa senão estudar.
  3. Foi senão quando todos passaram.
  4. Ela estudou muito não só em casa senão também no cursinho.
  5. O candidato não escreve duas redações senão fuja do tema.
  6. Não houve um senão no texto inteiro.

Se não, assim, com duas palavras, separadinho, escreve-se quando significa: 1. Caso não; 2. Quando não.

Vamos às frases:

  1. Os candidatos poderão se surpreenderem se não estudarem direito.
  2. Não vivamos entre pessoas más, se não perigosas.

Vamos ser práticos! Basta que saibamos o uso de se não, pois são apenas dois momentos de significados. Assim, o que for diferente desses dois momentos – sentido de caso não / quando não – acarretará o uso de senão

4. De encontro a e ao encontro de:

Será que minhas ideias foram ao encontro das ideias dela ou foram de encontro às ideias dela?

O que vocês acham? (Risos!)

Olha só, vejamos:

Quando digo que meus pensamentos vão de encontro aos seus, expresso que sou contrário ao que você pensa.

Quando digo que meus pensamentos vão ao encontro dos seus, quero dizer que sãos afins (assim junto, pois significa ‘semelhantes’), são os mesmos pensamentos.

Então: Ir de encontro a = chocar-se, ir contra, ser contrário Ir ao encontro de = encontrar-se, juntar-se, ser favorável Espero que seus pensamentos venham ao encontro dos meus. Se forem de encontro aos meus, não há problema, pois os respeitarei.

5. Nota sobre AFIM e A FIM: A FIM = ter como objetivo. Estamos a fim de sair hoje. AFIM = semelhante. Ela tinha pensamentos afins.

Até semana que vem! Sucesso a todos!

Siga-me no twitter - @professordiego; no facebook, ou mesmo mande-me um e-maildiego.amorim.portugues@gmail.com

Estudem e sucesso a todos.

Diego Amorim

Diego Amorim

Licenciado em letras - espanhol. Mestrando em análise do discurso e língua portuguesa.O professor já atuou em diversos preparatórios para vestibular e concursos espalhados pelo país e ainda em universidades particulares da cidade. Porfessor da rede LFG de ensino e grupo Gran Cursos. Consultor Linguí...


Amplie seu estudo

0 Comentário

Faça um comentário construtivo abaixo e ganhe votos da comunidade!

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "gritar" ;)

ou

×

Fale agora com um Advogado

Oi. O JusBrasil pode te conectar com Advogados em qualquer cidade caso precise de alguma orientação ou correspondência jurídica.

Disponível em: http://diegoamorim2.jusbrasil.com.br/artigos/121940947/materias-que-mais-caem-em-concursos-para-tribunais-i